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Manifesto Pedagógico

Dados do Projecto

Titulo Manifesto Pedagógico
Âmbito Mestrado Ensino das Artes-Visuais
Software Sony vegas / Illustrator/ Photoshop / After Effects

Conceito | Descritivo

O meu manifesto pedagógico assenta na utilidade de saber ver e na sua importância ao longo da nossa vida. A visão, considerada historicamente por muitos e ilustres filósofos, intelectuais e pensadores, como um dos sentidos com maior peso na nossa perceção do mundo. A título de exemplo, Faraday e Einstein relataram terão criado imagens para raciocinar sobre problemas inovadores complexos, que nos trouxeram uma compreensão mais ampla dos fenómenos que ocorrem no mundo que nos rodeia. Leonardo da Vinci, Picasso e Dali sabiam ver de uma forma diferente e, juntamente com inúmeros artistas deixaram-nos um legado de imagens que nos permitem compreender o mundo à nossa volta de uma forma mais bela e abrangente e que, em última análise, desenvolvem a nossa capacidade de contemplação do mundo e de nós próprios. Talvez seja até interessante relembrar um poema de Alberto Caeiro: O essencial é saber ver, mas isso, triste de nós que trazemos a alma vestida, isso exige um estudo profundo, aprendizagem de desaprender. Eu procuro despir-me do que aprendi, eu procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desembrulhar-me e ser eu. Nem todos conseguem pensar por imagens. A capacidade imagética difere substancialmente: algumas pessoas têm uma capacidade imagética elevada e são capazes de representar na mente inúmeros pormenores icónicos, ao passo que apresentam uma capacidade imagética mais baixa que apenas relatam uma descrição vaga de um objecto, sem riqueza e detalhe. Tudo isto nos leva a questionar como aprende-mos a ver? como estimulamos a nossa visão? Como podemos constatar, não basta ter olhos para ver. Há que treinar o olhar para que possamos olhar e gerar um entendimento, tirarmos significados do que observamos. E a linguagem visual é nos dias que correm, tão competitiva e importante quanto a linguagem verbal, o que a lhe deveria conceder cada vez mais um espaço de destaque na educação e no nosso sistema de ensino. Aprender a ver, ou como diria Jean Paul Sartre "para conhecer os homens, torna-se indispensável vê-los agir." ao entender que nossa a existência é confirmada pelo olhar do outro. O funcionamento da nossa mente pela supressão da palavra (em especial a palavra escrita) traduz-se na prática pelo estreitamento de nossa percepção de mundo. Dessa maneira, ela passa a depender de quase apenas um único sentido — a visão. Saber ver é antes de mais nada saber ver os nossos semelhantes. De facto, a localização anatómica dos nossos olhos mostra que eles estão orientados para ver o mundo — isto é, para ver o outro. Todos sabemos que há certas partes de nossa anatomia que só podemos distinguir em ângulos muito difíceis, e outras que não podemos ver de modo algum. Não é decerto uma abordagem singular, pelo que existem grandes obras primas que marcam a importância deste assunto que considero verdadeiramente urgente na sociedade actual, pouco descoberta para a visão - como é o caso do grande livro "Ensaio sobre a cegueira" do nosso prémio nobel da literatura José Saramago., onde o autor nos mostra, através da sua obra intensiva e sofrida, as reacções do ser humano às necessidades, à incapacidade, à impotência, ao desprezo e ao abandono. Da mesma forma, com este manifesto pedagógico, pretendo levar a refletir sobre a moral, costumes, ética e preconceitos através dos olhos da personagem principal que se vai deparando ao longo da narrativa com situações inadmissíveis para alguém que vê, mas que poderão ser aparentemente normais para quem é invisual. Convém notar que a unidimensionalização da visão — que nada mais é do que o resultado da apropriação do olhar pela cultura dominante — é um dos fenómenos mais alienantes do nosso cotidiano. A iconização da sociedade, isto é, o fornecimento de um mínimo de palavras escritas e um máximo de imagens padronizadas, conduz a uma diminuição do contacto com a razão. Disso resulta a restrição ao acesso das pessoas ao imaginário, o que as leva a ver o mundo de modo concreto e literal, quando "Cada homem deve inventar o seu caminho." ( Jean-Paul Sartre) Essa é uma das principais causas da redução da capacidade de lidar com a palavra e, por conseguinte, de conversar. É uma forma de dificultar a formação de consensos derivados da experiência e perpetuar a unidimensionalização. Trata-se de reprimir o imaginário e a diversidade em todas as suas dimensões: na linguagem escrita e falada, na expressão corporal, na produção de imagens e símbolos, enfim, em todos os meios pelos quais o indivíduo pode se opor à massificação. "A imaginação é como um braço extra, com o qual podemos agarrar coisas que de outra forma não estariam ao seu alcance." ( Jean-Paul Sartre) Em consequência, as percepções veiculadas pelos sentidos que têm sido reprimidos e anestesiados são desvalorizadas, o que favorece a uniformização, a manipulação e toda a confusão associada a fenómenos como a globalização, que entre aspectos positivos, criou um sistema alienatório , e que torna cada vez mais difícil a nossa capacidade de processar e organizar estes dados deve-se a carência de uma seletividade metódica, que só é possível com a atitude crítica e saber ver. Com este manifesto pedagógico, pretendo levar a reflectir acerca da relevância da visão nas nossas vidas, e despertar novamente mais uma vez porque nunca é de mais, para o facto de ser importante tirar proveito dela para viver bem. Nesta peça tenciono assim, mostrar que a vida, tem movimento, é muito fugaz, matreira, imprevisível, composta por milhares de momentos que se dissipam na memória do nosso cérebro, que pode estar ou não trabalhado para explorar este lado visual da vida, que nos dá capacidade de adquirir e formar conhecimento, despoletar sentimentos e sensações e resumidamente, permite comunicar com o mundo e deixar que este comunique connosco - "O homem está condenado a ser livre"( Jean-Paul Sartre) Faço assim este manifesto, porque tenho uma grande pânico em relação à cegueira, que a meu ver poderia por em causa de uma forma algo dramática talvez, o sentido da minha vida. Termino-o uma vez mais com uma citação de Jean-Paul Sartre que diz "O homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem, do que poderia ter."


Keywords edição, vídeo, manifesto, pedagogia, saber ver

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